terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Votação decisiva no Senado irá analisar novo Código Florestal

Votação decisiva no Senado irá analisar mais de 40 emendas do novo Código Florestal

Plenário do Senado deve votar hoje à tarde ao menos 44 emendas apresentadas até ontem

Um dos temas mais controversos em discussão no Congresso neste ano, o novo Código Florestal deve ganhar nesta terça-feira um capítulo decisivo. Está prevista a votação no plenário do Senado das modificações feitas depois da aprovação na Câmara dos Deputados.

Em maio, as propostas feitas por Aldo Rebelo (PC do B-SP) foram aprovadas na Câmara, com alterações como a que permite o uso das áreas de preservação permanente (APPs) para atividades consolidadas até julho de 2008.

No Senado, surgiram novas emendas. A versão que vai hoje à votação tinha 44 emendas até ontem e toca em temas controversos como aplicação de multas, recomposição de margens e atividades em encostas de morros.

Veja os principais pontos que causam polêmica em torno do tema:

Revisão
O que está em debate é a mudança do código criado em 1934 e revisado pela última vez em 1965.

— A grande motivação foi a necessidade de adaptar a prática às necessidades ambientais — observa a especialista em direito ambiental Bibiana Carvalho Azambuja da Silva.

Entre os pontos a serem modificados, estão a recomposição de margens de rios em áreas de preservação permanente, a aplicação de multas, a permissão para atividades em encostas e em nascentes e olhos d’água.

Recomposição
No texto avaliado nesta quarta-feira há mudanças na recomposição das matas. Produtores poderão manter atividades consolidadas até 2008 mas ficarão obrigados a recompor faixas de vegetação. Para rios com até 10 metros de largura, a recomposição mínima será de 15 metros (metade do previsto hoje).

Em propriedades de até quatro módulos fiscais, será preciso recompor faixas correspondentes à metade da largura. Acima disso, conselhos estaduais de meio ambiente estabelecerão o mínimo obrigatório.

Impacto
Estudo do Instituto de Comércio e Negociações Internacionais (Icone) projetou o que ocorreria com a geração de renda e a arrecadação tributária caso as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a reserva legal fossem restauradas.

Com base em dados de déficit de reserva legal de 54,6 milhões de hectares e de APP de 10,2 milhões de hectares, haveria redução de 24% na área produtiva. Essa diminuição, por sua vez, implicaria queda de 20,5% na renda do setor agropecuário e de 3,4% no PIB.

Alimentos
Há duas interpretações possíveis para o efeito nos preços: produtores afirmam que, como terão de cultivar áreas menores, plantarão menos e isso poderá pressionar preços. Por outro lado, ecologistas rebatem que maior prejuízo traria a desregulação climática provocada pela falta de preservação.

Estudo do Icone mostrou que se a recuperação do déficit da reserva legal fosse feito pela legislação atual, a área para a agricultura, que deveria subir de 226 milhões para 230 milhões de hectares entre 2010 e 2022, cairia para 180 milhões de hectares.

Municípios
O professor do departamento de Geografia do Instituto de Geociências da UFRGS Paulo Verdum lembra que, apesar de o conflito estar focado na produção rural, também existem sérios problemas de “pensar as áreas de preservação permanente” nos espaços urbanos.

A distância definida para recomposição de mata nas margens de rios e nascentes deverá ser respeitada nas cidades. Projetos futuros de obras precisarão levar isso em consideração na hora de serem executados.

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