terça-feira, 2 de agosto de 2011

Copa do Mundo no Brasil

Governo e patrocinadores tentam 'camuflar' falhas no primeiro evento da Copa no Brasil

Bruno Freitas, Ricardo Perrone e Thales Calipo
No Rio de Janeiro


Cinco dias e R$ 30 milhões de dinheiro público depois, o Brasil passou pelo primeiro grande teste da Copa do Mundo de 2014. E o resultado só não foi pior porque o Comitê Organizador Local (COL) contou com o precioso auxílio de alguns de seus patrocinadores e, principalmente, das três esferas governamentais.
A começar pelo dinheiro para realizar o sorteio preliminar do Mundial, primeiro grande evento do torneio que aconteceu no país, neste sábado, na Marina da Glória.

Para garantir que a cerimônia acontecesse no Rio de Janeiro, os governos municipal e estadual tiveram de abrir os cofres e pagaram R$ 15 milhões cada. O dinheiro foi para a Geo Eventos, ligada à Rede Globo, e responsável pela organização.


Nem só com verba pública foram feitas as ajudas governamentais. Apesar de a presidente Dilma não estar em sintonia com Ricardo Teixeira, o governo federal permitiu que o aeroporto Santos Dumont fosse fechado por quatro horas para que o barulho dos aviões não atrapalhasse na transmissão do sorteio.

Além disso, policiais rodoviários de todo o Brasil foram convocados para fazer a escolta dos principais dirigentes da Fifa e de uma seleta lista VIPs. Dessa forma, o presidente Joseph Blatter e o secretário-geral Jerome Valcke, por exemplo, ganharam proteção de oito batedores para circular pela cidade, esquema utilizado apenas para a presidente da República. Os demais “contemplados” (um grupo de 25 vips) tinham a companhia de quatro motocicletas, que fechavam o trânsito para a passagem da comitiva. Uma maneira de furar os congestionamentos, mesmo que isso irritasse os motoristas “comuns”.

Apesar de todos esses apoios, o sorteio ainda teve de driblar outros contratempos. E, para isso, a Fifa contou com a colaboração de seus patrocinadores. Na área da Marina da Glória, por exemplo, o sinal de telefonia celular é praticamente inexistente. A Oi, parceira do COL, instalou duas antenas próprias e, após muitas reclamações, distribuiu chips para jornalistas e convidados.

Em contrapartida, Fifa e COL também deram uma “forcinha” para os patrocinadores. Durante os cinco dias de evento, mesmo com o forte calor, não houve distribuição de água. Com isso, qualquer pessoa que estivesse com sede deveria se dirigir a uma pequena loja do McDonald’s instalada dentro do centro de imprensa e pagar R$ 2,50 por uma garrafinha.

Mesmo “amarrando” bem diversos aspectos com governos e patrocinadores, a natureza acabou sendo a grande vilã do sorteio. Neste sábado, um vendaval provocou diversos estragos, inclusive na tenda montada especialmente para a cerimônia, e obrigou os organizadores a correrem para consertar tudo, fato que ocorreu simultaneamente ao show comandado pelos apresentadores da TV Globo Fernanda Lima e Tadeu Schmidt.

Depois de todos esses problemas, o Brasil terá mais de um ano para absorver as lições e organizar novamente outro grande evento. Em 2013, o país abrigará a Copa das Confederações e o sorteio final dos grupos da Copa do Mundo de 2014, que acontecerá entre os dias 12 de junho e 13 de julho.

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