segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Jacqueline Lyra contribui para a quarta missão a Marte Foto: Divulgação / Divulgação Nasa "Provavelmente existiu vida em Marte"


Jacqueline Lyra contribui para a quarta missão a MarteFoto: Divulgação / Divulgação Nasa

"Provavelmente existiu vida em Marte", afirma engenheira da Nasa

Engenheira carioca faz parte de equipe da agência espacial norte-americana que realiza operação em Marte


"Provavelmente existiu vida em Marte", afirma engenheira da Nasa Divulgação/Divulgação Nasa

A carioca Jacqueline Lyra, 50 anos, sonhava na adolescência em ser astronauta. Ainda não foi para o espaço, mas desde 1988, como cientista do Jet Propulsion Laboratory, da Nasa, já ajudou a mandar naves e robôs para Marte. A quarta missão da qual participa que chega ao planeta vermelho é a Curiosity.
— Não deu para dormir, de tanta excitação. Foi um grande dia. Foram sete anos trabalhando para isso — relatou na tarde desta segunda-feira por telefone a Zero Hora, ainda cansada por ter passado a madrugada acompanhando o jipe-robô tocar o solo de Marte e enviar as primeiras fotos.
A engenheira chefia a equipe responsável por regular a temperatura da nave durante o trajeto e do jipe no solo marciano. Jackie, que mescla palavras em inglês e português, virou notícia no Brasil em 1997, quando, na missão que levou o robô Pathfinder, ela incluiu o samba Coisinha do Pai, de Beth Carvalho, para "despertar" o veículo em um dos primeiros dias de operação. Confira trechos da entrevista:
Zero Hora — Qual o significado desta missão? Jacqueline Lyra — É a procura da vida. É um quebra-cabeças que estamos montando pouco a pouco. Nossa missão é saber: existe ou já existiu vida em Marte? Se existiu, o que aconteceu para não existir mais? Essa é a grande pergunta que os cientistas querem responder. Marte é tão parecido com a Terra. Queremos saber se o que aconteceu lá pode acontecer com a Terra. Aos poucos, a gente vai pegando um pouco mais de informação para daqui a alguns anos ter certeza se existe vida ou não.
ZH — A senhora acredita que exista vida em Marte?Jacqueline — Tudo é possível. A gente realmente acredita na possibilidade de que provavelmente existiu vida em Marte.
ZH — Missões a Marte ocorrem desde os anos 1970. Se existisse vida, vocês já não saberiam? Jacqueline — Cada sonda tem uma capacidade limitada. Por isso, a gente sempre cria uma sonda com um pouco mais de capacidade. Esta é a primeira em que temos realmente um laboratório. São mais de 10 instrumentos científicos. Essa capacidade não se tinha antes. Eram robôs menores. Antes, os braços dos robôs podiam pegar só um pouquinho do material. Agora, esse braço não só coleta bastante material como o coloca dentro dos instrumentos para a leitura. Com isso, vai se abrir uma porta a mais. Outro detalhe é que o robô está pousando em uma área perto de uma montanha que pode contar a história sedimentária. Podemos começar a contar a história de Marte.
ZH — É possível o homem chegar até Marte? Habitar Marte? 
Jacqueline — Sim, acho que é possível. Espero que, na próxima geração, a gente possa fazer algo assim. É claro que não vai ocorrer em cinco ou 10 anos, mas no futuro. Quem sabe a minha filha (de 11 anos) poderá ir para Marte. O próximo passo é trazer o que foi até Marte para a Terra. As sondas não voltam. Temos de trazer as coisas de volta.
ZH — De onde a senhora acompanhou a aterrissagem?Jacqueline — Desta vez, não fiquei naquela sala que aparece nas fotos, com todos de uniforme. Fiz isso nas missões anteriores. Agora, cheguei a um ponto de deixar que a nova geração passe por esta experiência. Passei o 'grande dia' com meu marido e minha filha de 11 anos na universidade California Tech. Lá, foi feita uma recepção para quem trabalhou no Curiosity porque não tem como colocar todos naquela sala que se vê nas votos (cerca de mil pessoas participam da missão). É fascinante.
ZH — Como a senhora foi parar na Nasa? Jacqueline — Cresci no Rio e meu sonho sempre foi ser astronauta, trabalhar no espaço. Na época, engenharia aeroespacial no Brasil era restrita a homens. Não tinha como buscar meu sonho no Brasil. Vim para os Estados Unidos, me formei no Texas. Tive sorte de me dar bem na faculdade. Quando me formei, surgiu uma seleção para o laboratório onde trabalho agora. Fiz a entrevista e fiquei fascinada. Eles me contrataram e foi praticamente meu primeiro emprego. Estou desde 1988 aqui e nunca tive nem ideia de ir para outro lugar. São 23 anos de carreira, 90% em Marte. É uma felicidade. Uma das maiores recompensas é ir falar com as crianças sobre o nosso trabalho. Em muitos livros de ciência para a oitava série (dos EUA) a capa do livro é estampada com a fotografia de um dos robôs em que trabalhei. Então, quando vou falar com as crianças em sala de aula, é preciso ver os olhares de fascinação delas. Não existe nada melhor do que passar a experiência para as crianças. É fascinante saber que o nosso trabalho pode deixar um legado.

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