quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Bel Pesce: a fórmula para a criação de produtos inovadores


Bel Pesce: a fórmula para a criação de produtos inovadores

Saiba como melhorar a vida das pessoas utilizando a tecnologia, segundo a experiência da empreendedora

Por Eber Freitas, Administradores.com
 
Criar soluções e tecnologias verdadeiramente inovadoras, capazes de impactar a vida das pessoas, não é algo tão difícil quando quem está falando é a empreendedora Bel Pesce. A brasileira, cuja trajetória foi narrada no livro A Menina do Vale, foi a palestrante mais esperada da Campus Party Recife. O evento aconteceu entre os dias 26 e 29 de julho.


- Veja aqui a palestra de Bel Pesce na Campus Party

A sua história já inspirava centenas de jovens empreendedores que estavam presentes, e a sua apresentação não ficou devendo nem um pouco. Ela relatou que, com apenas 19 anos, fez parte de um grupo de trabalho no MIT que conseguiu levar celulares de baixo custo a zonas rurais em Moçambique, na África. "Seis anos atrás não havia nenhuma cobertura de celular por lá, por três razões principais: muitas pessoas eram pobres, não tinha eletricidade e a densidade populacional era muito baixa para as operadoras implantarem antenas", falou.

Como resolver esse problema? Através de três etapas necessárias a qualquer produto ou empreendimento de sucesso, uma das quais já havia sido superada: encontrar uma necessidade, entender porque ela existe e, a partir disso, tentar elaborar uma solução de forma criativa.

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"Eu nunca vi nenhuma ideia dar errado por causa da tecnologia", afirma Bel Pesce em palestra na Campus Party Recife (Foto: Mayara Chaves)


"Nós fizemos um telefone que custava menos de cinco dólares para fabricar. Para driblar o problema da energia elétrica, colocamos pequenos painéis solares para recarregar a bateria", explica. Mas, de acordo com Pesce, a solução mais criativa foi adotada para eliminar o problema da falta de antenas das operadoras nas zonas rurais.

"O telefone funcionava como um walkie talkie, então se eu estivesse a dez quilômetros de outro usuário, eu conseguia falar de graça. Mas a grande sacada era: se um terceiro usuário estivesse a mais dez quilômetros do segundo, eu ainda conseguiria falar com ele pelo telefone do segundo. Cada telefone funcionava como uma mini-antena que repetia o sinal", relatou a empreendedora.

A parte concernente à tecnologia estava, então, superada. Restava agora a parte que ela considerou realmente complicada, que foi encontrar parceiros interessados no projeto, convencer o governo do que pôr celulares nas zonas rurais era uma boa ideia e encontrar uma boa maneira de realizar a distribuição. "Tivemos uma dificuldade intensa, as operadoras não queriam dar telefones de graça para os moradores", conta. "Eu nunca vi nenhuma ideia dar errado por causa da tecnologia".

No final, o projeto deu certo, e os telefones foram produzidos durante dois anos. Está aí a fórmula para os empreendedores criarem produtos que realmente melhorem a vida das pessoas; o resto é trabalho.

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