quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tirínhas II

Tirinhas I

Empresas familiares adotam gestão mista


O benefício do modelo, que nos últimos anos começou a ganhar popularidade no Brasil

Vívian Soares



O hábito de contratar executivos do mercado para controlar companhias familiares, restringindo a atuação dos sócios apenas ao conselho de administração, está perdendo espaço no Brasil. Frequentemente apontada como "solução" para os problemas sucessórios ou de modernização do negócio, a profissionalização das empresas vem dando lugar à gestão estratégica mista, que combina talentos e interesses de ambos os lados.

O benefício do modelo, que nos últimos anos começou a ganhar popularidade no Brasil, é a conjunção de estratégias: enquanto o executivo não familiar tende a enxergar os resultados mais imediatos, os membros da família conseguem agregar uma visão de longo prazo para o negócio. "O profissional do mercado é motivado por questões como bônus e crescimento na carreira. Já o familiar ou sócio pensa na história da empresa e na sua perpetuação para as próximas gerações. Misturar essas competências gera resultados muito benéficos", afirma Wagner Teixeira, sócio-diretor da höft, especializada em sucessão de empresas familiares. A consultoria entrega hoje, em São Paulo, o Prêmio Família Empresária à companhia familiar que mais se destacou no ano de 2011.

Teixeira acredita que uma gestão efetiva nessas organizações passa também pela "profissionalização da família". Isso significa que existem dois níveis de governança corporativa: a visível, praticada pelo conselho de administração e pelos comitês, e a invisível, que tem a ver com aspectos familiares e societários e com a relação das gerações com a empresa. Um desses espaços de governança invisível, segundo ele, é o conselho de família. "É preciso que exista essa estrutura, e que ela seja um fórum pra tratar assuntos distintos dos que são abordados no conselho de administração", diz.

Estruturado em 2001, o conselho de família do grupo Algar, holding com quatro divisões de negócio e 20 mil funcionários, é um exemplo. Composto por nove membros da família, que representam diferentes grupos de atuação da empresa, o conselho é aberto à participação de todos os herdeiros. "É um fórum com funções múltiplas como informar familiares que estão fora da gestão do negócio, discutir questões patrimoniais e incentivar a formação dos futuros herdeiros", afirma Eleusinha Garcia, presidente do conselho familiar.
Segundo Luiz Alexandre Garcia, CEO do grupo Algar, apesar de serem órgãos independentes, os conselhos de família e de administração se relacionam frequentemente e são considerados pares no organograma do grupo. "O processo decisório se tornou mais eficiente, pois ambos são autônomos com o mesmo nível de importância. Os assuntos não são misturados."

O grupo Seculus, que congrega dez empresas, formalizou em 2007 seus conselhos de administração e de família, embora o conselho de acionistas exista há 50 anos. Segundo Élcio Antônio de Azevedo, membro do conselho de administração e presidente do Banco Semear, que faz parte do grupo, essa divisão ajuda a manter um bom processo de governança. "Isso não quer dizer que a família não possa participar da administração. Quando isso acontecer, que seja em um processo de escolha bem definido e profissional."
Aproximadamente 30% dos diretores e presidentes do grupo Seculus são membros da família - o restante dos cargos de alta administração são executivos do mercado. A diversidade de experiências, na opinião de Azevedo, traz bons resultados. "A gestão mista faz com que a família e os sócios mantenham os princípios, crenças e valores do grupo, enquanto os executivos trazem novos conhecimentos e métodos."

Fonte: Valor Econômico

Sistema de ponto eletrônico entra em vigor amanhã

Novo mecanismo de controle do expediente tem o objetivo de inibir fraudes no controle de jornadas de trabalho

Aline Vilalva


Entra em vigor amanhã o novo Registrador Eletrônico de Ponto (REP), criado pela portaria 1.510/2009 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com o intuito de inibir fraudes dos controles de jornadas de trabalho.

De acordo com Bethânia Marconi, advogada especializada em Direito do Trabalho e Direito Tributário, as empresas não estão obrigadas a adotar o novo sistema, visto que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) institui várias formas de controlar a jornada de trabalho. ''Elas podem adotar o ponto eletrônico, mecânico ou manual'', explica. ''No entanto, as empresas que optarem por este sistema devem se adequar às normas definidas na lei'', reitera.

Os primeiros 90 dias serão de fiscalização orientativa. Depois desse período, a multa aplicada para quem não estiver em conformidade com a portaria pode variar entre R$ 40,25 e R$ 4.025,33, dependendo da gravidade da infração, podendo ser dobrada em caso de reincidência.

Bethânia reforça que para os casos em que as empresas estão inseguras com relação à nova portaria, o MTE instituiu a portaria 373, em fevereiro deste ano, que não traz tantas exigências quanto a 1.510. ''A empresa pode usar o sistema alternativo de ponto eletrônico, mediante autorização em acordo coletivo de trabalho e desde que respeite as exigências definidas pelo Ministério.''

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Equipamentos de Registro Eletrônico de Ponto (Abrep), a maior adesão do cartão eletrônico ocorreu entre as pequenas e médias empresas. No entanto, uma parte das de grande porte também fizeram a troca. Os equipamentos custam entre R$ 1.450 e R$ 4.500, dependendo do modelo e capacidade de utilizadores.

Conforme a Abrep, há um total de 600 mil empresas que poderiam adotar o novo sistema de ponto eletrônico. Porém, cerca de 440 mil ainda não estão adequadas à nova portaria. Pesquisa sobre o novo relógio de ponto conduzida com diversas empresas do País, encomendada pela Abrep e realizada pelo Instituto AGP, indica que que 78% dos funcionários e 74% das empresas aprovam o novo registro e questionamentos sobre horas extras caíram 28%. Apenas 3% dos trabalhadores e 8% das empresas estão insatisfeitos com a novidade.

Segundo o estudo, o novo relógio de ponto melhorou a relação trabalhista e está oferecendo sensação de mais segurança a empregados e empregadores: 60% dos funcionários sentem-se mais protegidos com o novo registro de ponto e apenas 6% não acreditam que haja mais proteção com a ferramenta; 70% das empresas acreditam que estão protegidas e 8% não perceberam a melhora. O relacionamento e confiança entre ambos melhorou 59%, e 14% não acreditam nessa melhora.
Fonte: FolhaWeb

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Carrefour tem prejuízo de US$ 359,2 mi no 1º semestre

O prejuízo foi 249 milhões de euros, equivalente a US$ 359,255 milhões

Ricardo Benichio
Tótem com a marca Carrefour
Em 2010, a empresa teve um lucro líquido de 97 milhões de euros no mesmo período

Paris - O gigante varejista francês Carrefour reduziu sua estimativa de lucro para o ano, ao mesmo tempo que anunciou um prejuízo líquido no primeiro semestre, ante a alta de preços dos fornecedores e a redução da participação de mercado na França. A companhia disse que empregará uma nova estratégia para recuperar competitividade na França.

Segundo maior grupo de varejo do mundo depois do Wal-Mart, o Carrefour apresentou prejuízo de 249 milhões de euros (US$ 359,255 milhões) no primeiro semestre, comparado a um lucro líquido de 97 milhões de euros no mesmo período do ano passado. O lucro antes de juros e impostos (Ebit) caiu para 772 milhões de euros, de 989 milhões de euros um ano antes.

Como os preços dos fornecedores continuaram aumentando e a participação de mercado do Carrefour caiu devido ao acirramento da competição na França, a companhia disse que agora espera que o Ebit do ano seja 15% menor do que o de 2010. A expectativa inicial era de "uma progressão" no lucro operacional. O grupo não deu detalhes sobre sua estimativa de vendas. Anteriormente, a previsão era de crescimento em relação às vendas do ano passado.

O anúncio já era esperado, pois em julho o diretor financeiro do grupo, Pierre Bouchut, havia alertado que o Carrefour dificilmente atingiria suas metas para o ano. Ao longo do período, "o Carrefour conseguiu aumentar suas vendas, puxadas pelos mercados emergentes, mas os resultados globais não foram satisfatórios, pressionados por um desempenho fraco na França e por itens não recorrentes", disse o presidente e diretor executivo Lars Olofsson, em um comunicado.

"Estamos implementando um novo plano de atuação, empregando uma nova estratégia comercial na França para recuperar competitividade e tráfego em nossos hipermercados e nos adaptando a um ambiente econômico cada vez mais desafiador", disse Olofsson. A França responde por 44% das vendas do Carrefour.

Fora da Europa, as vendas cresceram 13% na América Latina, com alta de 27% no Ebit. Na Ásia, o crescimento das vendas foi de 7,7%.

Ao longo dos últimos seis meses, as ações do Carrefour se desvalorizaram cerca de 40%, com o aumento das preocupações sobre o ambiente econômico, as altas de preços dos fornecedores e o fracasso do plano de fusão com o Grupo Pão de Açúcar, no Brasil, além da inquietação produzida pela estratégia e administração do grupo após várias mudanças. As informações são da Dow Jones.

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