terça-feira, 23 de outubro de 2012

Carro ou táxi: o que vale mais a pena em 5 regiões?

Carro ou táxi: o que vale mais a pena em 5 regiões?

Levantamento mostra que, em média, se a distância diária percorrida é de até 10,5 km por dia é mais barato usar apenas o táxi


São Paulo – Manter um carro não é barato. São gastos com impostos, manutenção, seguro, combustível, estacionamento, além de outros gastos variáveis e imprevisíveis. Por isso, fica a dúvida se financeiramente não é mais vantajoso abandonar o carro e usar apenas táxis. Para solucionar a questão, EXAME.com realizou, em parceria com a escola de educação financeira Academia do Dinheiro, uma comparação sobre os custos anuais de manter um carro e de utilizar táxis para ir e voltar do trabalho em dias úteis em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Como conclusão, o levantamento mostra que nesses locais, em média, quem percorre até 10,5 quilômetros por dia gasta menos se utilizar apenas táxis.
Mauro Calil, consultor financeiro e fundador da Academia do Dinheiro, afirma que a comparação pode ser mais interessante para quem já tem um carro e pensa se vale a pena investir na compra do segundo veículo.

“Para uma família é importante ter um carro porque pode haver alguma emergência e não ter um carro nessas horas pode ser um problema. Mas, se a família já tem um carro, ela pode pensar em apenas o marido ou a esposa andar de carro e o outro usar táxi. Assim, eles podem economizar mais e em vez de ter dois carros populares, podem até pensar em ter apenas um único carro, mais confortável e com isso ter um aumento de status”, explica.

Veja na tabela abaixo até qual distância percorrida por dia seria mais vantajoso andar de táxi em cada localidade.

CidadeSão PauloCuritibaBelo HorizonteRio de JaneiroBrasíliaMédia
Quilometragem máxima percorrida para ser mais vantajoso andar de táxi7,5 km/dia9,5 km/dia8 km/dia14,5 km/dia13 km/dia10,5 km/dia
Custo anual do carro12.237,7812.411,4111.914,6615.685,1714.144,6813.278,74
Custo anual de táxi12.064,8012.144,0011.520,9615.496,8014.097,6013.064,83

Abaixo, veja os gastos anuais de manter um carro. Na página seguinte, os gastos anuais de se locomover apenas de táxi. Os custos mostrados nas duas tabelas a seguir consideram para cada cidade as quilometragens máximas percorridas por dia para ser mais vantajoso andar de táxi, conforme os dados da tabela acima. Isto porque, se fossem usadas nas tabelas distâncias pelo menos 0,5 quilômetro maiores, o uso do táxi já deixaria de ser a opção mais barata.

CidadeSão PauloCuritibaBelo HorizonteRio de JaneiroBrasília
Valor do carro (R$)30.000,0030.000,0030.000,0030.000,0030.000,00
Distância percorrida 7,5 km/dia9,5 km/dia8 km/dia14,5 km/dia13 km/dia
Depreciação Anual (%)8,00%8,00%8,00%8,00%8,00%
Depreciação Anual (R$)2.400,002.400,002.400,002.400,002.400,00
Combustivel (R$/litro)2,6202,4892,6922,8132,829
Consumo (km/Litro)5,005,005,005,005,00
Combustivel Anual (R$)2.137,922.572,632.343,124.437,794.001,34
Licenciamento (R$)62,7058,1466,3896,2262,70
Seguro Obrigatório (R$)101,16101,16101,16101,16101,16
IPVA (R$)1.200,00750,001.200,001.200,001.050,00
Manutenção anual (R$) 1.200,001.200,001.200,001.200,001.200,00
Seguro Anual (R$)1.450,001.450,001.450,001.450,001.450,00
Estacionamento Anual (R$)3.686,003.879,483.154,004.800,003.879,48
Custo Anual do Carro (R$)12.237,7812.411,4111.914,6615.685,1714.144,68


CidadeSão PauloCuritibaBelo HorizonteRio de JaneiroBrasília
Distância percorrida 7,5 km/dia9,5 km/dia8 km/dia14,5 km/dia13 km/dia
Bandeirada (R$)4,104,003,904,703,30
Tarifa (R$/km)2,502,002,241,701,80
Preço por corrida (R$)22,8523,0021,8229,3526,70
Corridas no mês (1 ida e 1 volta)4444444444
Custo anual do táxi (R$)12.064,8012.144,0011.520,9615.496,8014.097,60

Justiça condena Kraft por pedaço de metal em Club Social

Justiça condena Kraft por pedaço de metal em Club Social

Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que companhia pague R$ 7 mil reais por danos morais e materiais a autor do processo


Divulgação/KraftFoods
Biscoito Club Social
Kraft foods: Justiça condenou companhia a indenizar cliente que encontrou um pedaço de metal no biscoito Club Social

São Paulo – O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou que a Kraft Foods indenize em 7.000 reais um consumidor que encontrou um pedaço de metal maciço no meio de um biscoito da marca Club Social.  O caso ocorreu em 2003, e uma criança de dois anos chegou a mastigar o metal e quebrar um dos dentes ao tentar comer o biscoito.

De acordo com a Justiça, o laudo pericial do processo conduz ao entendimento de que havia dentro do alimento fabricado pela Kraft material metálico que lesionou o dente da criança. A Kraft já havia sido condena em primeira instância a pagar 5.000 reais ao autor do processo, mas o valor foi revisto pelo relator do caso. O processo ainda cabe recurso.

No início desse ano, a Justiça paranaense também condenou a Kraft a pagar indenização de 18.000 reais a um consumidor que encontrou larvas dentro de uma barra de chocolate da marca Shot - o produto ainda estava dentro do prazo de validade.

Procurada por EXAME.com, a Kraft Foods ainda não vai ser pronunciar sobre o caso, pois alega que não foi notificada pela Justiça até o momento

Lucro do Itaú é o segundo maior da história do setor

Lucro do Itaú é o segundo maior da história do setor

No acumulado até setembro, banco só perde do resultado que ele mesmo gerou no ano passado


Divulgação
Agência do Itaú no Shopping Villa-Lobos
Agência do Itaú: banco domina a lista dos dez maiores lucros acumulados até setembro

São Paulo – O lucro líquido do Itaú Unibanco, no acumulado de janeiro a setembro, é o segundo maior da história dos bancos brasileiros para o período, com base em levantamento da consultoria Economática.
 
O Itaú Unibanco lucrou 10,102 bilhões de reais no acumulado até setembro. A cifra é 7,65% menor que os 10,940 bilhões obtidos nos nove primeiros meses do ano passado. Ainda assim, foi suficiente para colocar o número no ranking dos maiores já apresentados por um banco no país.

O desempenho só perde para o lucro que o próprio Itaú Unibanco apresentou no ano passado. Ontem, a Economática havia listado o lucro de 8,488 bilhões de reais apresentado pelo Bradesco, no acumulado do ano, como o quarto maior da história. Com a divulgação do Itaú Unibanco hoje, o banco é deslocado para o quinto lugar.

Veja, a seguir, como fica o ranking com os números divulgados hoje pelo Itaú:

BancoLucro acumulado (R$ bilhões)Ano
Itaú Unibanco10,942011
Itaú Unibanco10,1022012
Itaú Unibanco9,4332010
Banco do Brasil9,2082011
Bradesco8,4882012
Bradesco8,3032011
Banco do Brasil7,7012010
Bradesco7,0352010
Itaú Unibanco6,8542009
Itaú Unibanco6,4442007

Empresa pernambucana transforma resíduos em produtos criativos

Empresa pernambucana transforma resíduos em produtos criativos

Bolsas, acessórios e peças para cenografia e intervenções urbanas viram design nas mãos de artesãs pernambucanas

Por Luciana Barbo, Agência Sebrae
 
Banners, discos de vinil, garrafas PET, disquetes, CDs e todo tipo de material que iria para o lixo vira design na cabeça de Ana Borba, criadora da Lixiki. Quarenta artesãs fazem parte da rede da capacitação dessa empresa pernambucana que tem como principal característica a preocupação com o meio ambiente e com a geração de renda.

Ana Borba deixou a Engenharia Civil depois de 15 anos para se dedicar ao projeto, que hoje desenvolve acessórios, como bolsas, nécessaires, bijuteria; objetos para casa e cenografia; e intervenção urbana. "Tudo começou em 2004, quando quis chamar a atenção para a coleta seletiva. Criamos bolas a partir de fundos de garrafas PET e instalamos na Praça do Parnamirim, em Recife. A partir daí, recebemos muitos convites para capacitar comunidades e começamos a fazer projetos sazonais", conta a designer.

Em 2008, depois de um projeto que envolveu 36 comunidades da região metropolitana de Recife, ela decidiu priorizar essa atividade. "Montei uma empresa para desenvolver produtos para o dia a dia, não só eventos. A intenção era proporcionar geração de renda para pessoas que estavam fora do mercado de trabalho", diz Ana.

Atualmente, o objetivo da empresa é criar grupos produtivos constantes para que eles possam, além de produzir os artigos da Lixiki, desenvolver e comercializar linhas com identidade própria. "A gente não quer só fazer projetos pontuais, mas manter uma chama acesa dentro das comunidades para que elas possam gerar renda", destaca Ana Borba.

Em novembro, a Lixiki terá uma pop-up store em um dos shoppings da cidade. A ação faz parte de um projeto que capacitou a comunidade do entorno do centro comercial para a produção de peças que vão decorar uma praça adotada pela instituição. "Nessa loja vão estar os produtos das comunidades do entorno e de outras unidades produtivas que fazem parte da rede Lixiki", conta a empreendedora.

A empresa participa da mostra Luiz Gonzaga, uma das atrações da Feira do Empreendedor de Pernambuco, do Sebrae, que termina neste sábado (20), em Olinda. O espaço aponta de que forma o compositor e músico serve de exemplo para vários empreendedores ao reunir empresas que usam a criatividade e o capital intelectual como principais instrumentos para a criação de produtos e serviços. A exposição também é composta pelo painel que destaca fases e ações de Luiz Gonzaga, nas quais características empreendedoras foram decisivas para sua trajetória de sucesso.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dirceu, Genoino, Delúbio e mais sete réus são condenados por formação de quadrilha

Dirceu, Genoino, Delúbio e mais sete réus são condenados por formação de quadrilha

Voto de Ayres Britto definiu a condenação dos réus


No último ato do escândalo do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta segunda-feira, por 6 a 4, os operadores do esquema pela formação de uma quadrilha que atuou no governo e foi comandada pelo ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Ele sofreu condenação por chefiar o esquema, auxiliado na cadeia de comando pelo ex-presidente do PT José Genoino, pelo ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Sete anos depois das primeiras denúncias, o STF desfechou o escândalo com 25 réus condenados e julgou que a gestão do ex-presidente Luiz Inácio da Silva comprou votos no Congresso para a aprovação de projetos de interesse da administração federal. De acordo com o ministro Celso de Mello, decano do tribunal, "um dos episódios mais vergonhosos da história política do País", operado por "homens que desconhecem a República, pessoas que ultrajaram as suas instituições e que, atraídos por uma perversa atração do controle criminoso do poder, vilipendiaram os signos do Estado Democrático de Direito e desonraram com seus gestos ilícitos e ações marginais a ideia que consignam o republicanismo na nossa Constituição".

Um grupo que reuniu 11 réus no total para a prática de crimes de lavagem de dinheiro, contra a administração pública - peculato e corrupção - e contra o sistema financeiro - gestão fraudulenta de banco.

— Tenho, para mim, que, neste perfil, reside a verdadeira natureza dos membros dessa quadrilha, que, em certo momento histórico de nosso processo político, ambicionou tomar o poder, a constituição e as leis do País em suas próprias mãos. Isso não pode ser tolerado — afirmou Mello.

— Ninguém tem legitimidade para transgredir as leis e a Constituição de nosso país. Ninguém está acima da autoridade do ordenamento jurídico do estado — continuou.

No entendimento do STF, o desvio de recursos públicos, os empréstimos bancários fraudados, a lavagem desse dinheiro e a distribuição para deputados, tudo foi montado para angariar apoio ao governo Lula e ampliar o poder do PT. Na sessão desta segunda-feira, o Supremo julgou a última fatia do processo. Condenou Dirceu e outros dez réus por integrar o que o decano do STF classificou como "uma sociedade de delinquentes".

— Formou-se na cúpula do poder, à margem da lei e ao arrepio do direito, um estranho e pernicioso sodalício (sociedade de pessoas que vivem em comum), constituído por dirigentes unidos por um comum desígnio, um vínculo associativo estável que buscava eficácia ao objetivo espúrio por eles estabelecidos: cometer crimes, qualquer tipo de crime, agindo nos subterrâneos do poder como conspiradores, para, assim, vulnerar, transgredir, lesionar a paz pública — afirmou Mello.

O grupo foi integrado por Dirceu, Delúbio, Genoino, Valério, dirigentes do Banco Rural e das agências de publicidade que ajudaram a capitalizar o mensalão. Votaram pela condenação dos réus pelo crime de formação de quadrilha os ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto (presidente).

— No caso, houve a formação de uma quadrilha das mais complexas, envolvendo, na situação concreta, o núcleo dito político, o núcleo financeiro e o núcleo operacional — afirmou Marco Aurélio Mello.

— Mostraram-se os integrantes em número de 13. É sintomático o número — acrescentou o ministro, lembrando o número do PT, mas ignorando que dois dos 13 réus foram absolvidos.

Conforme a maioria dos ministros, o esquema envolvia divisão de tarefas entre cada um dos núcleos, pressupunha a união estável entre os réus para a prática de crimes que atentaram contra a paz pública.

— Havia um projeto delinquencial de natureza política — afirmou Fux.

— Esse projeto delinquencial foi assentado aqui pelo plenário como existente. Todos sabiam o que estavam fazendo. Todos foram condenados por isso — disse.

Quatro integrantes da Corte não julgaram que o grupo constituiu uma quadrilha. Para os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli, os réus não se juntaram com o fim de integrar um grupo destinado à prática indeterminada de crimes. A partir de agora relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, começa a revelar as penas que defende que sejam impostas a cada um dos réus. Deve começar pelo ministro da Casa Civil. Barbosa já adiantou que aqueles que estavam no topo da cadeia de comando do esquema terão tratamento mais severo. Somente depois de todo o julgamento, os ministros discutirão se os condenados começam imediatamente a cumprir as penas, como defendeu o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ou se aguardam em liberdade o trânsito em julgado do processo, o que deve ocorrer apenas em 2013.

BMW produzido em Santa Catarina poderá ser até 40% mais barato

BMW produzido em Santa Catarina poderá ser até 40% mais barato


SÃO PAULO - Nesta segunda-feira (22), o governador do Estado de Santa Catarina, Raimundo Colombo, deverá apresentar o projeto de instalação de fábrica da BMW no Estado à presidente Dilma Rousseff. Segundo informou o governo catarinense, os preços dos automóveis da BMW deverão ser reduzidos entre 15% e 40% por conta da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e também devido às cotas diferenciadas oferecidas aos importadores.

O investimento de cerca de R$ 1 bilhão deverá ser aplicado na cidade de Araquari, no norte do Estado. De início serão produzidos três modelos: Sedan Série 3, Hatch Série 1 e X1 Crossover. A nova fábrica deverá gerar 1,5 mil empregos diretos, informou o site do governo de Santa Catarina, que embora seja o Estado com 3,2% da população, é o que responde por 10% das vendas da BMW no Brasil.

Colegas de exílio defendem Dirceu

Colegas de exílio defendem Dirceu


Colegas de exílio defendem Dirceu
"Para José Ibrahim, Dirceu vive 'linchamento político'"
Na semana em que o julgamento do mensalão no STF chegará ao fim, com a possibilidade de condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu por formação de quadrilha, ex-presos políticos exilados com o então líder estudantil no México e, depois, em Cuba saem em defesa do velho companheiro.

Eles aparecem lado a lado na histórica foto de 6 de dezembro de 1969, no auge da ditadura militar, quando Dirceu e outros 12 foram trocados pelo embaixador americano sequestrado Charles Elbrick. Depois de mais de quatro décadas, recebem com pesar a possibilidade de vê-lo novamente preso, agora em pleno regime democrático.

"Dirceu é inocente, aquilo não tinha nada a ver com ele", diz o ex-deputado Vladimir Palmeira, defendendo "absoluta ausência de provas" para condenar o antigo companheiro e ainda amigo. Palmeira deixou o PT em junho de 2011, em protesto pela reintegração do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, pivô do mensalão, à legenda seis anos após ser expulso por envolvimento no escândalo.

Ele diz que o PT age como um "partido autocrático, acima da lei", concorda que houve caixa 2, mas poupa Dirceu. "Era evidente que o Delúbio tinha culpa, no processo está claro. Mas quem conhece bem o PT, quem conviveu ali, sabe que o Delúbio nunca foi ligado ao Dirceu", diz, chamando de "piada" a acusação de formação de quadrilha contra o ex-ministro da Casa Civil pelo ministro Joaquim Barbosa.

Palmeira acha que José Dirceu foi vítima de uma "ampla campanha para desestabilizar o governo do PT" e que "os juízes (do STF) sem dúvida foram envolvidos numa atmosfera política da grande imprensa e da opinião pública". Para ele, condenar Dirceu como chefe de quadrilha mostra que a democracia - a mesma democracia que os dois amigos dizem ter ajudado a conquistar - "tem erros".

Na mesma linha, o jornalista e escritor Flávio Tavares, outro companheiro da época, diz-se decepcionado com a degradação política brasileira, da qual Dirceu seria um "bode expiatório". "O mensalão é o fato mais gritante, mas não é o único. E os que exigiram ser subornados para integrar a base 'alugada' do governo? Eram de vários partidos!"
"Durante a ditadura tínhamos dois partidos e eleições nas capitais, o mesmo simulacro político que existe hoje, em que os partidos operam por pequenas vantagens e a política é feita visando às eleições. Isso não é democracia, mas partidocracia", diz Tavares.

O jornalista enxerga no velho companheiro Dirceu, hoje abatido e com a fala bem menos assertiva do que quando era o homem forte do governo Lula, a mesma coragem dos tempos de militante contra a ditadura. Naquele 6 de dezembro de 1969, na base aérea do Galeão, no Rio, antes de serem trocados por Elbrick e partirem para o exílio no México, Tavares cochichou aos ouvidos dos colegas presos políticos que mostrassem as algemas. Somente José Dirceu o fez. "Depois disso, a grande mostra de coragem do Dirceu foi ele voltar ao Brasil clandestino em 1972, quando nenhum de nós ousou voltar. Era a morte." Para o companheiro, Dirceu ainda "se sacrificou em 2005 ao renunciar para não prejudicar o presidente Lula. Ele blindou o governo do PT em pleno tiroteio e, assim, assumiu toda a responsabilidade sobre o escândalo". "Foi um ato de extrema coragem", diz.

Tavares, porém, não poupa o amigo: "Dirceu é um homem corajoso, valoroso, mas entrou na política e, ao fazê-lo, assumiu todos os vícios graves inerentes à partidocracia, da qual os maiores nomes são Paulo Maluf, Roberto Jefferson, José Sarney, Fernando Collor...".

José Ibrahim, dirigente nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e um dos 13 presos políticos na foto com Dirceu, acredita que o companheiro e amigo esteja vivendo "um linchamento político". "Vejo tudo isso com enorme tristeza, mas isso faz parte da política. O Zé (José Dirceu) fez um jogo muito arriscado e está sendo julgado por isso, mas vai saber levar mais essa fase com dignidade, como sempre o fez".

O ex-deputado pelo PT Ricardo Zarattini, outro ex-preso político e ex-funcionário de Dirceu na Casa Civil, também defende o amigo: "Chamá-lo de chefe de quadrilha é inadmissível".

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